Aborto e virgindade são temas do último livro de “Crepúsculo”!

26 de abril de 2010


“Amanhecer” é o eletrizante fim da história sobre o amor de uma garota por um vampiro e suas aventuras com o amigo lobisomem.

O último livro da série “Crepúsculo”, escrita pela americana Stephenie Meyer, acaba de chegar ao Brasil. “Amanhecer” é o eletrizante fim da história sobre o amor de uma garota por um vampiro e seu amigo lobisomem. A história repete temas dos outros volumes, mas adiciona a tópica do aborto e, de certo modo, de um dos conflitos religiosos americano.

“Amanhecer” sai da gráfica da editora Intrínseca com 400 mil cópias e mais de 200 mil já estão vendidas para livrarias do país. Em tempos de crise, o sucesso editorial é algo de destaque, ainda mais se levarmos em conta que o episódio final da série foi publicado em agosto de 2008 nos Estados Unidos. É natural que muitos já tenham lido o original em inglês ou traduções de fãs pela internet.

“Crepúsculo” é uma série que provoca paixão, uma vez que o sucesso da obra e sua qualidade podem ser julgados pelo número de vendas atingidas. Se os livros possuem uma boa recepção entre os jovens leitores, então devemos dar crédito positivo ao texto. No entanto, um leitor esperto e atento não fica apenas no nível do sensível e do prazer, mas desce às camadas mais profundas da interpretação.

Enredo e análise
A garota Bella Swan e o vampiro Edward Cullen estão mais unidos do que nos outros livros. Em “Amanhecer”, acontece o casamento do ser das trevas com a adolescente da cidade de Forks, no estado de Washington.

O livro resolve uma antiga questão da série: o sexo. O casal sai em lua-de-mel, cujo destino final é uma ilha no litoral brasileiro. O que antes era medo transforma-se em prazer, tendo como um dos resultados uma cama quebrada.

No entanto, uma das dúvidas dessa sequência é como o vampiro Edward possui uma ereção, já que vampiros não têm sangue. Em uma entrevista, Stephenie Meyer afirma que o veneno do ser das trevas funciona como fluido corporal. Só que esta explicação não está no texto, portanto só pode ser lida como um lapso e um erro na hora da construção do personagem.

Em “Amanhecer, Jacob Black, amigo de Bella que nutre amor por ela, reaparece na história decidido a combater aquilo que ele sabe que é inevitável: a transformação de Bella em uma vampira. O lobisomem, assim como sua matilha, está decidido a destruir o clã vampiresco, assim que conseguir a prova de que a garota não é mais uma humana.

O lobisomem freia o ímpeto assassino ao descobrir que Bella está grávida. Nesse trecho da obra há uma interrupção da narração feita pela garota, sendo substituída por Jacob. Assim, ficamos sabendo que o feto metade humano, metade vampiro cresce em ritmo acelerado e obriga Bella a tomar sangue para sobreviver.

É neste ponto da obra que surge um novo tema: o aborto. Ele surge como substituto do tabu sexual e, claramente, reflete as opções religiosas da autora. Edward e Jacob defendem o aborto do feto, mas Bella e a vampira Rosalie entendem que isso seria um assassinato.

Em um dos trechos temos a seguinte frase de Bella: “Eu ainda não sei Jake. Mas eu só … sinto … que isso vai acabar em algo bom, que é difícil de ver agora. Acho que pode chamar isso de fé.”. A negação ao aborto e a fé formam um par contrário à ciência e razão, representados por Edward, Jacob e Carlisle, o médico vampiro.

Carlisle chega ao ponto de contar os cromossomos do feto para saber como seria e qual seria seu comportamento, mas suas tentativas de estudos não são nada perto da certeza de que Bella tem sobre o futuro da criança. Desse modo, Stephenie recupera um tema comum no debate político-religioso norte-americano: o conflito entre fé e ciência, sobretudo quando ligado ao ensino da evolução e do criacionismo. Nem a ciência e nem a genética salvam Bella, mas sua fé e seu amor, mesmo que para isso tenha que se tornar uma vampira.

Prova externa
O maior problema da aparição da criança, chamada de Renesmee, é a tentativa de explicá-la a partir de uma tradição de histórias sobre vampiros. No lugar de criar um universo fantástico único, Stephenie lança mão de várias provas externas, que quando confrontadas com o livro, não se sustentam.

A filha de Bella é explicada, em certa parte de “Amanhecer, com referência aos íncubos. Só que o íncubo é um ser mítico medieval que engravidava mulheres sem a permissão delas e está longe de ser vampiro. Os íncubos representam o pecado sexual e o incesto, nunca estiveram associados na tradição literária com os sanguessugas, nem mesmo quando foram utilizados por C.S Lewis e Stephen King.

O único ser que se aproxima das ideias de Meyer é o broxa, vampiro medieval, capaz de voar e prever o futuro. Só que a autora faz uma salada cultural ao colocar lendas dos índios ticunas na história. Apesar de viverem ao longo do rio Solimões, a autora os coloca tanto na costa do Rio de Janeiro como em toda a Amazônia, como se o país fosse uma imensa floresta e vivêssemos em uma enorme tribo. Bella e Edward descobrem as supostas lendas brasileiras para entender mais sobre a Renesmee.

Nem uma lenda da tribo serve como apoio para “Amanhecer”. Nem mesmo o mürieto, o rei dos morcegos para os ticunas, possui relação alguma com a ser metade vampiro metade humano do livro. Nas histórias da Amazônia em geral, os único grandes sugadores de sangue são, respectivamente, o Boraró, um enorme macaco, e o Cãoera, um morcego gigante bem diferente do mürieto.

Desse modo, “Amanhecer”, como toda a série “Crepúsculo”, deve ser entendido como fenômeno de massa e, por essa condição, merece respeito. No resto, o livro é uma colagem de tradições diversas, remanejadas e reescritas, transformando o enredo numa história média para um leitor iniciante.

2 Respostas to “Aborto e virgindade são temas do último livro de “Crepúsculo”!”

  1. Natália Augusto Ferreira Says:

    Apesar de ser um livro com muitos leitores
    pra mim Natália é algo mais,
    é como se eu estivesse no lugar de Bella a procura de um Edward
    lutando por um amor do qual eu sei que é o mais belo amor de todos. Onde eu sou capaz de entender a teoria do mundo e conquistar minhas prioridades e minha felicidade.
    essa História é perfeita!

  2. lais Says:

    eu amo muito o filme e eu acho que foi ensinameto a nao abortar mesmo de for um vanpiro.


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