The Host

24 de maio de 2009

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Sem nada para postar, então vou postar o prólogo e o primeiro capítulo de The Host, o novo livro de Stephenie Meyer:

Prólogo

O nome do Curandeiro era Vau Águas Profundas.

Por ser uma alma era por natureza tudo que era bom: compassivo, paciente, honesto, virtuoso e repleto de amor. Ansiedade era uma emoção incomum para Vau Águas Profundas.

Irritação era ainda mais raro. No entanto, como Vau Águas Profundas. Vivia dentro de um corpo humano, irritação era, ás vezes, inevitável.

Conforme os sussurros dos curandeiros estudantes zumbiam no canto distante da sala de operação, seus lábios se pressionavam em uma linha rígida. Essa expressão estava deslocada em uma boca mais acostumada a sorrir.

Darren, seu assistente regular, viu a carranca e lhe deu alguns tapinhas no ombro.

“Eles só estão curiosos, Vau,” ele disse tranquilizadoramente.

“Uma inserção é dificilmente um procedimento interessante ou desafiador. Qualquer alma na rua poderia fazê-lo em uma emergência. Não há nada para eles aprenderem observando hoje.” Vau se surpreendeu ao ouvir o tom ligeiramente irritado em sua normalmente calma voz.

“Eles nunca viram um humano adulto antes.” Darren disse.

Vau ergueu uma sobrancelha. “Eles são cegos e não vêem os rostos um do outro? Eles não tem espelhos?”

“Você sabe o que eu quero dizer – um humano selvagem. Ainda sem alma. Um dos insurgentes. “

Vau olhou para o corpo da garota inconsciente, deitada de barriga para baixo na mesa de operação. Piedade encheu seu coração ao se lembrar do estado em que seu pobre e quebrado corpo estava ao ser trazido pelos Rastreadores ao Hospital. Ela passou por tanta dor….

Claro que agora ela estava perfeita – completamente curada. Vau cuidou disso.

“Ela parece com qualquer um de nós.” Vau murmurou para Darren “Todos nós temos faces humanas e quando ela acordar será uma de nós também.”

“É que é excitante para eles, só isso.”

“A alma que implantarmos hoje merece mais respeito do que ter seu corpo hospedeiro bisbilhotado desse jeito. Ela já terá muito com o que se preocupar com a adaptação, não é justo fazê-la passar por tudo isso.” Por ‘isso” ele não queria dizer a adaptação. Ele ouviu o tom irritado voltar a sua voz.

Darren tentou acalmá-lo novamente “Tudo ficará bem. A Rastreadora precisa de informação e…”

Ao som da palavra Rastreadora, Vau deu um olhar à Darren que só podia ser descrito como fulminante.

Darren piscou em choque.

“Desculpe-me” Vau desculpou imediatamente “Eu não pretendi reagir tão negativamente. É só que eu temo por esta alma.”

Seus olhos moveram-se para o Cryotanque em sua bandeja ao lado da mesa. A luz estava fixa, vermelha, indicando que estava ocupado e no modo Hibernação.

“Essa alma foi especialmente escolhida para essa tarefa” Darrin disse de forma apaziquadora. “Ela é excepicional dentro os nossos – mais corajosa que a maioria. Sua vida fala por si. Eu acho que ela se voluntariaria se fosse possível perguntar a ela.”

“Quem entre nós não se voluntariaria se fosse pedido para fazer algo para o Bem Maior: Mas é esse o caso aqui? O Bem Maior? A questão não é a sua disposição mas sim o que é correto pedir a qualquer alma para agüentar.”

Os curandeiros estudantes estavam falando sobre a alma hibernando também. Vau podia ouvir os sussurros claramente, suas vozes estavam aumentando o volume agora, devido à excitação.

“Ela viveu em seis planetas;”

“Eu ouvi que foram sete.”

“Eu ouvi que ela nunca viveu dois períodos na mesma espécie de hospedeiros.”

”Isso é possível?”

“Ela já foi quase tudo, Flor, Urso, Aranha – “

“Erva, Morcego – “

“Até um dragão!”

“Eu não acredito – sete planetas?”

“Pelo menos sete. Ela começou na Origem.”

“Sério? Na origem?”

“Silencio, por favor”” Vau interrompeu “ Se vocês não conseguem observar profissionalmente e em silêncio, então eu terei que pedir para que se retirem.”

Embaraçados, os seus estudantes ficaram em silêncio e se afastaram um do outro.

“Vamos lá Darren.”

Tudo estava preparado. Os medicamentos apropriados estavam postos ao lado da jovem humana. Seus longos cabelos negros estavam protegidos sob a toca cirúrgica, expondo seu pescoço delgado. Profundamente sedada, ela respirava lentamente. Sua pele bronzeada não possuía marcas do seu … acidente.

“Começar a seqüência agora, Darren.”

O assistente já estava aguardando ao lado do criotanque, sua mão apoiada nos botões. Ele puxou a aba de segurança e apertou o botão. A luz vermelha acima do pequeno cilindro cinza começou a pulsar. Piscando mais rápido a cada segundo, mudando de cor.

Vau concentrou-se no corpo inconsciente, ele fez uma incisão na base do crânio com movimento precisos e então para remover o excesso de sangue passou o spray com o medicamento, podendo assim abrir mais profundamente até expor os pálidos ossos no topo da coluna cervical.

“A alma está pronta, Vau.” Darren o informou.

“Eu também. Traga-a.”

Vau sentiu Darren com seu cotovelo e soube sem precisar olhar que seu assistente estará preparado com as mãos erguidas e esperando, eles trabalhavam juntos por muitos anos. Vau manteve o corte aberto.

“Envie-a para casa.” Ele suspirou.

As mãos de Darren eram visíveis agora, o brilho prateado de uma alma acordada acomodada em suas palmas.

Vau nunca via uma alma exposta sem se surpreender com a beleza delas.

A alma brilhava sob as luzes da sala de operação, mais forte do que os instrumentos prateados em sua mão. Como uma borracha viva, ela se girava e contorcia suavemente feliz de estar livre do cryotanque. Suas membranas, finas como penas, quase mil deles, balançando suavemente como fios de cabelo prateado. Apesar de todas serem adoráveis, essa pareceia particularmente graciosa para Vau Águas Profundas..

Ele não foi o único a reagir assim. Ele ouviu o suspiro de admiração de Darren e dos estudantes.

Gentilmente ele posicionou a pequena e brilhante criatura dentro da abertura que havia feito no pescoço da humana. A alma deslizou para dentro do espaço oferecido acomodando-se no espaço alien, Vau admirou a forma como a alma se apossou de sua nova casa. Suas membranas se firmaram em seus lugares abaixo dos nervos centrais, alguns se alongando e alcançando mais fundo até onde ele não podia ver, para baixo e para cima até o cérebro, os nervos óticos…Ela era muito rápida e segura nos movimentos. Logo somente uma pequena parte de seu corpo brilhante era visível.

“Bom trabalho.” Ele sussurrou para ela, sabendo que ela não podia ouvi-lo. A garota humana é que tinha os ouvidos e ela ainda dormia profundamente.

Era trabalho rotineiro terminar o serviço. Ele limpou e curou o corte aplicando o salvar e fechar incisões, e então passou o pó suavizador de cicatrizes pela linha que ficou no pescoço.

“Perfeito, como sempre.” Disse o assistente, que, por alguma razão desconhecida para Vau, nunca mudou o nome de seu hospedeiro humano, Darren.

Vau respirou fundo. “Eu me arrependo desse dia de trabalho.”

“Você somente está cumprindo seu dever de Curandeiro.”

“Essa é uma das raras ocasiões em que o Curandeiro cria as feridas.”

Darren começou a limpar a área, ele não parecia saber como responder. Vau estava cumprindo com sua vocação, isso era o suficiente para Darren,

Mas não suficiente para Vau Águas Profundas, que era um Curandeiro de verdade até o âmago do seu ser. Ele olhava ansiosamente para o corpo da jovem mulher, pacificamente sedada, sabendo que essa calma logo seria interrompida assim que ela acordasse. Todo o horror do final da vida da humana será trazido para essa inocente alma que ele acabou de colocar dentro dela.

Ele inclinou sobre o corpo e sussurrou em seu ouvido, Vau desejou fervorosamente que a alma dentro do corpo já pudesse o ouvir agora.

“Boa sorte, pequena viajante, boa sorte. Eu desejava muito que você não fosse precisar.”

Capítulo 1

Lembrada

Eu sabia que começaria pelo fim, e que o fim pareceria com a morte para esses olhos. Eu fui avisada.

Não estes olhos. Meus olhos. Meus. Essa era eu agora.
A linguagem que eu me descobri utilizando era estranha, mas fazia sentido. Ela era áspera, quadrada, cega e linear. Impossivelmente aleijada em comparação com as muitas que eu já usei, ainda assim consegui encontrar nela fluidez e expressão. Às vezes beleza. Minha linguagem agora. Minha língua nativa.
Com o genuíno instinto da minha raça, eu me atei firmemente ao centro de pensamento do corpo, me entrelacei com sua respiração, e refleti até que já não fossemos mais uma entidade separada. Era eu.
Não um corpo, meu corpo.
Eu senti o sedativo perdendo o efeito, e a lucidez tomando conta. Eu me preparei para a violência da primeira memória, que na verdade seria a última memória – os últimos momentos que esse corpo experimentou, a memória do fim. Eu fui cuidadosamente avisada sobre o que aconteceria agora. Essas emoções humanas seriam mais fortes, mais vitais do que os sentimentos de qualquer outra das espécies que eu já havia sido. Eu tentei me preparar.

A memória veio. E, assim como eu fui avisada, não era uma coisa para a qual eu podia ter me preparado.
Ela apareceu com cores fortes e barulho ensurdecedor. Frio em sua pele, a dor apertando seus membros, queimando-os. O gosto metálico era forte em sua boca. E havia essa nova sensação, um quinto sentido que eu nunca tive, isso pegou as partículas de ar e as transformou em estranhas mensagens, e em prazeres e avisos em seu cérebro – cheiros. Eles me distraiam, eram confusos para mim, mas não para a memória dela. A memória não tinha tempo para as novidades dos cheiros. A memória era de puro medo. O medo aprisionou seu corpo, empurrando os membros fracos, desajeitados para a frente, mas os impedindo ao mesmo tempo. Fugir, correr, era tudo o que ela podia fazer.

Eu falhei!

A memória que não era minha era tão assustadoramente forte e clara que abriu caminho no meu controle – ela superou a distância, o conhecimento de que essa era apenas uma memória e não eu. Mergulhada no inferno que era o último minuto de sua vida, eu era ela, e nós estávamos correndo.
Está tão escuro. Eu não consigo enxergar. Eu não consigo ver o chão. Eu não consigo ver minhas mãos espalmadas na minha frente. Eu corro as cegas e tento escutar o perseguidor que sinto atrás de mim, mas a pulsação atrás de meus ouvidos é tão alta que abafa todo o resto.
Está frio. Isso não devia importar agora, mas isso dói. Estou com tanto frio.

O ar em seu nariz era desconfortável. Mau. Um mau cheiro. Por um segundo, aquele desconforto me desconectou da memória, e depois eu fui sugada de novo, e meus olhos se encheram com lágrimas de horror.
Eu estou perdida, estamos perdidos. Acabou.
Eles estão bem atrás de mim agora, próximos e fazendo barulho. São tantos passos! Eu estou sozinha. Eu falhei.
Os Rastreadores estão chamando. O som de suas vozes faz meu estômago revirar. Eu vou vomitar.
“Está tudo bem. Está tudo bem”. Um deles mente, tentando me acalmar, me desacelerar. A voz dela está perturbada pelo seu esforço para respirar.
“Tenha cuidado!”, outro grita em aviso.
“Não se machuque”, um deles pede. Uma voz profunda, cheia de preocupação.
Preocupação!
Calor subiu em minhas veias, e um ódio violento quase me fez engasgar.
Eu nunca senti emoções como essas em nenhuma das minhas vidas. Por outro segundo, meu nojo me afastou das lembranças. Um barulho alto, estridente perfurou meus ouvidos e pulsou em minha cabeça. O som arranhou minhas vias respiratórias. Havia uma dor fraca em minha garganta.
Gritando, meu corpo explicou. Você está gritando.

Eu fiquei congelada em choque, e o som se quebrou repentinamente.
Isso não era uma memória.
Meu corpo – ela estava pensando! Falando comigo!
Mas a memória estava mais forte, naquele momento, do que o meu choque.

“Por favor!”, eles choramingaram. “Há perigo à frente.”
O perigo está atrás. Eu grito de volta em minha mente. Mas eu vejo o que eles querem dizer. Um fraco raio de luz, vindo sabe-se lá de onde, brilha no final do corredor. Não é a parede plana nem a porta trancada, o fim do caminho que eu temia e esperava. É um buraco negro.
O poço de um elevador. Abandonado, vazio e condenado, como o resto deste prédio. Uma vez um lugar escondido, agora, uma tumba.
Uma onda de alívio flui em mim enquanto eu corro em frente. Há um caminho. Não um caminho pra sobreviver, talvez, mas uma forma de vencer.
Não, não, não! Esse pensamento era só meu, e eu lutei para me afastar dela, mas nós estávamos juntas. E nós saltamos no abismo da morte.

“Por favor!” Os gritos estavam mais desesperados.
Eu sinto vontade de rir quando descubro que sou rápida o suficiente. Eu imagino suas mãos tentando me agarrar a apenas alguns centímetros das minhas costas. Mas eu sou tão rápida quanto preciso ser. Eu não paro nem quando o chão acaba. O buraco se ergueu pra me encontrar no meio do caminho.
O vazio me engole. Minhas pernas sem vida, inúteis. Minhas mãos pegam o ar, agarram-no, procurando por algo sólido. O frio sopra passando por mim como ventos de tornado.
Eu ouço a pancada antes de senti-la… O vento se foi…
E a dor está em todos os lugares… Dor é tudo.
Faça parar.
Não é alto o suficiente, eu me ouço cochichando através da dor.
Quando é que a dor vai acabar? Quando…?

A escuridão engoliu minha agonia, e eu estava franca de gratidão por essa memória ter chegado a um final mais que conclusivo. A escuridão tomou conta de tudo, e eu estava livre. Eu respirei fundo para me acalmar, tal como era o hábito deste corpo. Meu corpo.
Mas aí a cor apareceu de volta, a memória retrocedeu e me envolveu novamente.
Não! Eu entrei em pânico, temendo o frio e a dor a até o próprio medo.
Mas essa não era a mesma memória. Essa era uma memória dentro de uma memória – uma memória final, como uma última respiração – ainda assim, de alguma forma, ela era ainda mais forte do que a primeira.
A escuridão levou tudo menos isso: um rosto.
O rosto era tão alienígena para mim quanto os tentáculos de uma serpente sem rosto do meu último corpo hospedeiro seriam para esse meu novo corpo. Eu havia visto esse tipo de rosto nas imagens que me deram para que eu me preparasse pra esse mundo. Era difícil diferenciar um do outro, ver as pequenas variações de cor e formato que eram as únicas marcas de indivíduos. Pareciam os mesmos, todos eles. Narizes centralizados no meio de uma esfera, olhos em cima e boca embaixo, orelhas nos lados. Uma coleção de sensações, todas menos toque, concentradas em um lugar só. Pele sobre ossos, cabelos crescendo no topo e estranhas linhas peludas sobre os olhos. Alguns tinham pelos em baixo na mandíbula; esses eram apenas homens. As cores variavam em tons marrons, desde um creme pálido até um tom profundo quase preto. Fora isso, como diferenciar um do outro?

Esse rosto eu teria reconhecido entre milhões.
Esse rosto era um duro retângulo, o formato dos ossos fortes sob a pele. A cor era um leve marrom dourado. O cabelo era apenas alguns tons mais escuros do que a pele, exceto onde raios amarelos o atenuava, e cobria apenas a cabeça e as peculiares linhas de expressões acima dos olhos. A íris circular nos globos oculares brancos eram mais sombrios do que o cabelo, mas como o cabelo, refletia com luz. Havia pequenas linhas em torno dos olhos, e as memórias dela me diziam que as linhas eram de sorrir e apertar os olhos contra a luz solar.
Eu não sabia nada do que passava por bonito entre estes estranhos e, no entanto, eu sabia que essa face era bonita. Eu queria continuar a olhar para ele. Assim que eu percebi isso, ele desapareceu.
Meu, falou o pensamento alienígena que não deveria existir.
Mais uma vez, eu estava congelada, atordoada. Não deveria ter ninguém além de mim. E, no entanto este pensamento foi tão forte e tão consciente!
Impossível. Como ela ainda estava aqui? Isso era meu agora.
Meu, eu a repreendi, o poder e a autoridade que pertencia a mim somente flui através da palavra. Tudo é meu.
Então, por que estou respondendo á ela? Eu me perguntava quando as vozes interromperam meus pensamentos.

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