The Guardian: A tristeza do sugador de sangue.

2 de maio de 2009

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A tristeza do sugador de sangue.

Antes de conseguir o papel do arrasa corações vampiro em Crepúsculo, o ator britânico Robert Pattinson estava pronto para desistir. Agora, ele tem fãs acampados do lado de fora de seu hotel. Então, porque essa cara de chateado? É o que se pergunta Amy Raphael.

Antes de Robert Pattinson fazer o teste para o papel de Edward, o vampiro em Crepúsculo, ele tomou um quarto de Valium para ver onde isso o levaria. Ele conseguiu o papel. Ele não fazia idéia de em que estava se metendo: ele poderia até saber que a saga Crepúsculo, de Stephenie Meyer, atraiu 17 milhões de leitores ao redor do mundo e que a mãe Mórmon do Arizona era o maior fenômeno de publicação desde JK Rowling. O que ele não esperava era as adolescentes que se apaixonaram pelo sensível e torturado Edward, dos livros de Meyer. Primeiro, elas se revoltaram online, chamando Pattinson de gárgula – entre coisas piores. Então elas mudaram de idéia, se apaixonaram por ele em massa e se recusam a deixá-lo em paz.

Pattinson, que fará 23 anos em um mês, se tornou um símbolo sexual internacional desde que Crepúsculo estreou no ano passado. Ele é mais famoso até do que Daniel Radcliffe. Afinal de contas, Harry Potter ainda parece ser um garotinho, enquanto Edward é adolescente vampiro cheio de paixão e de sangue vermelho, apaixonado por uma colegial mortal chamada Bella. Esqueça toda aquela besteira sobre gárgulas, também: Pattinson é uma fusão improvável de Johnny Depp e do recém escalado Doctor Who, Matt Smith. Ele usa os mesmo tipos de roupa vintage que Depp, e os dois possuem a mesma feminilidade durona; ele tem o mesmo cabelo arquitetônico de Smith, os mesmos traços assimétricos e um rosto estranhamente atraente. Ah, e ele tem um metro e oitenta, com o corpo esbelto da juventude.

Ainda assim, o próprio Pattinson não leva toda a atenção a sério. Educado em uma escola particular em Londres, ele tem o tipo de sotaque chique que todo americano adora, mas ele não é nem remotamente pretensioso ou arrogante. Sua colega de elenco, Kristen Stewart, que interpreta Bella, uma vez disse que Pattinson não sabe mentir; ele também não parece conseguir parar de falar. Nesse exato momento ele está descrevendo o seu quarto de hotel em Vancouver, onde ele está filmando “Lua Nova”, a segunda parte da quadrilogia Crepúsculo. “Eu estou morando nesse quarto sem janelas no trigésimo e tanto andar. Porque as pessoas que construíram o hotel tinham medo que as pessoas se matassem! É um desses hotéis de negócios. Eu acho que eles estão preocupados em não poder cobrar muito pelos quartos se as pessoas estiverem se matando…”

A maioria dos atores vive em apartamentos, ou em pelo menos suítes de hotéis enquanto estão nos sets. Mas não Pattinson: “Eu já estou instalado lá agora. Levaria cerca de 3 semanas para eu juntas todas as minhas coisas. Eu não deixo as camareiras entrarem. Eu nem ao menos puxo as cobertas, porque eu não quero ver o que tem embaixo”.

Há muitos fãs esperando do lado de fora do hotel, mas ele tenta não pensar no nível fenomenal de fama que ele alcançou na América do Norte; ele diz que ele ficaria louco se tentasse. Então, ele tenta se disfarçar: “Mas ao invés disso, eu só estou ficando cada vez mais chamativo; eu estou usando dois capuzes, um chapéu e óculos de sol, o que meio que se destaca no meio da noite. Então eu estou aprendendo a correr”.

Algumas vezes Pattinson parece ser adulto, mas ele também dá umas escorregadas em besteiras adolescentes. Pergunte se ele tem um nome falso no hotel e as risadas começam: “Eu era Clive Handjob em Paris. Todos no hotel me chamavam de ‘Monsieur Handjob’. Aquilo foi uma brincadeira tola e engraçada”.

Quando conseguiu o papel de Edward, Pattinson foi mandando cortar e pintar o cabelo. Ele recebeu um personal trainer e, pela primeira vez, conseguiu um tanquinho. Ele também foi mandando fazer um treinamento de mídia para ajudá-lo a lidar com a publicidade absurda necessária para Crepúsculo (nos Estados Unidos, os membros do elenco tiveram que participar de eventos para criar uma histeria entre os fãs para divulgar o filme). Ele pode parecer um astro do cinema agora, mas ele ainda diz coisas que não deveria. Em uma entrevista, ele deu uma informação sobre Valium e então pareceu fazer pouco caso de “Little Ashes”, um filme que ele fez antes de Crepúsculo, dizendo que não foi “nada”. Ele também falou, meio sem pensar, que “nós nem ao menos tínhamos trailers”.

A experiência cinematográfica de Pattinson é limitada – aos dezessete, ele conseguiu o pequeno papel de Cedrico Diggory em “Harry Potter e o Cálice de Fogo”, um papel que ele reprisou em “A Ordem da Fênix” (N/T: o ator não chegou a reprisar o papel, as imagens usadas no filme “A Ordem da Fênix” eram imagens de arquivo das gravações do filme anterior); ele então viveu do pagamento por este papel durante alguns anos – mas ele já tem arrependimentos. “Little Ashes” explora a relação homossexual entre o artista surrealista Salvador Dalí e o poeta romântico e dramaturgo Federico García Lorca na Espanha do começo dos anos 20. É um período fascinante – o cineasta surrealista Luis Buñuel também estava por lá – mas os historiadores de arte já questionaram a veracidade do roteiro de Phillipa Goslett, dizendo que não há provas de que Dalí e Lorca chegaram a consumar o relacionamento.

Feito com modestos 1.4 milhão de libras esterlinas, “Little Ashes” sofre por sua ambição e Pattinson – com apenas Harry Potter como experiência – sofre para interpretar o extremamente complexo Dalí com uma convicção real. Mesmo assim, ele explode momentaneamente quando eu comento seu pouco caso do filme como sendo “nada”. “Eu odeio ter que fazer toda essa merda! Já me disseram para pedir desculpas por ter dito isso. Eu só estava tentando dizer que foi um filme muito pequeno. Teve um orçamento minúsculo. Eu só estava tentando dizer que se “Crepúsculo” não tivesse aparecido, eu não sei quanto de “Little Ashes” teria sido divulgado. Em um mundo ideal, todo mundo assistiria filmes artísticos sobre Dalí e Lorca. Mas muita gente não tem nem idéia de quem Lorca seja”.

Ele se recompõe: “As pessoas adoram todas essas coisas negativas – ‘Ele não gosta do filme!’ ‘Ele é um homofóbico’ Que ótimo”. Agora que ele recebeu ordens de se redimir, Pattinson está de fato levando “Little Ashes” mais a sério. Ele até mesmo o assistiu algumas noites atrás. E ele nunca se assiste nas telas, nunca. “É como auto-flagelação, então pra que me dar ao trabalho? Eu eu não queria pisar no calo de ninguém. Foi muito difícil assistir à minha primeira cena, na qual eu apareço com um chapéu engraçado… Eu estava preocupado por assisti-los, mas a cena de sexo entre Dalí e Lorca foram, na verdade, as melhores cenas”.

Os fãs de “Crepúsculo”, obsessivos do jeito que são, com certeza vão conferir Pattinson quase-nu em “Little Ashes” (fiquem avisados: essa cena foi gravada antes do tanquinho, apesar de sua pele ser branca como a de um vampiro). Esse é o problema com fama repentina; os esqueletos são retirados do armário em uma velocidade perigosa. E o chapeuzinho charmoso de Dalí em “Little Ashes” não é nada se comparado com a sucessão de propagandas suspeitas que reapareceram recentemente. Há algumas particularmente charmosas na internet, de Pattinson de calças ou cuecas, com um topete no cabelo e um sorriso cafona. “Sério? Quando eu parecia um… esquisitão? Eu juro por Deus que isso é ilegal! É tão constrangedor. Na verdade, eu vi uma dessas esses dias”.

Pattinson parece mesmo estar um pouco perdido. Ele não pediu conselhos a Daniel Radcliffe – “Eu não tenho o número do telefone dele!” – e fica previsivelmente na defensiva quando perguntado sobre ser definido por seu papel em “Crepúsculo”. Ele solta várias frases aprendidas no treinamento de mídia sobre fazer o melhor filme possível na esperança de que pessoas o vejam como um ator e não apenas como Edward. Durante o curto período de tempo em que conversei com ele, me pareceu que ele está em um lugar no qual ele nunca planejou estar; afinal, ele estava pensando em desistir da atuação antes do teste para o papel de Edward.

Mas talvez ele esteja feliz com a sua vida e apenas odeie entrevistas. Ele diz que quando ele está dando entrevistas pelo telefone no seu quarto de hotel, ele às vezes deseja que houvesse uma janela pela qual ele pudesse pular. Ele está apenas brincando, é claro, mas parece que o processo de atuar se perdeu na névoa de publicidade de Hollywood. Às vezes ele se diverte inventando coisas em entrevistas. De que tipo? “Eu faço coisas extremamente intelectuais no meu tempo livre. Eu leio as primeiras edições de Shakespeare. Eu escrevo poesia. Eu estou tentando conseguir um mestrado em neurociência. Esse é o tipo de cara que eu sou”. Ele dá uma pausa, claramente se divertindo: “Cara, eu nem ao menos sei o que é um mestrado”. E ele ri histericamente ao criar um novo formato para o seu cabelo.

“Little Ashes” estréia na sexta-feira.

Créditos: Twilight Team

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