Entrevista com Robert Pattinson

8 de março de 2009

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Robert Pattinson, o Edward Cullen de Crepúsculo Ator fala da mudança de Harry Potter para cá, o trabalho com os outros colegas e a química com Kristen.

A adaptação para as telas do romance adolescente de Stephanie Meyer, o filme Crepúsculo, que chega agora ao Brasil, já é um enorme sucesso de bilheteria nos Estados Unidos. A história adaptada pela roteirista Melissa Rosenberg acompanha Isabella Swan, jovem de 17 anos que se muda para uma cidadezinha em Washington onde viverá com seu pai. Lá, ela acaba atraída por Edward Cullen, pálido e misterioso colega de colégio que parece determinado a afastá-la. O Omelete conversou em Los Angeles com o casal protagonista. Confira agora como foi o papo com Robert Pattinson, que interpreta Edward Cullen no filme dirigido por Catherine Hardwicke (Aos Treze).

Você está preparado para a legião de fãs que está chegando em conseqüência deste filme?

Robert Pattinson: É… Meu cérebro não entende isso. Mas tudo bem. Eu posso ser deixado em qualquer lugar e logo me acostumo com a situação. Eu só não quero ser esfaqueado ou nada do tipo. Sério, meu agente me perguntou “Você tem algum problema com isso? Vai dar tudo certo?” e eu disse “Eu só não quero levar um tiro ou ser esfaquead. Não quero que alguém chege em mim com uma agulha infectada e eu pegue AIDS”. Estes são meus únicos medos. E o pior é que tem gente lá fora capaz de fazer isso, né? Eu sei. Sempre que eu vejo uma aglomeração eu penso nisso. E quando estou num avião fico pensando que a parte de baixo vai ficar arrastando no asfalto na hora de decolar.

Você acha que alguma coisa da sua experiência em Harry Potter te preparou para o fenômeno pop de Crepúsculo?

Tudo acaba. Vivi o que era ser a manchete por alguns meses e daí, logo depois, ninguém estava nem aí. Isso ajuda. Ajuda quando você se acostuma com isso e sabe que ninguém liga. Uma vez que você se imuniza ao fracasso é como se nada mais importasse.

O retrato que fizeram de você na matéria da [revista] Entertainment Weekly é que você ficou obcecado em interpretar esse papel, que ficou angustiado por isso. É verdade?

É. Eu não queria fazer um filme adolescente estúpido. Eu não fiz nada que as pessoas tenham visto desde Harry Potter porque eu queria aprender a atuar. Não queria ser um idiota. E isso aconteceu meio aleatoriamente. Eu não sabia onde estava me metendo no começo. Eu estava querendo esperar mais um ano fazendo mais uns dois ou três trabalhos menores e só então tentar algo maior e daí isso tudo aconteceu e eu pensei “Bom, vamos lá”. Eu tinha feito um outro filme que foi muito intenso e saí mais satisfeito do que qualquer outro trabalho anterior. Não sei como ficou ou qual o resultado que isso trouxe, mas eu saí muito melhor e queria repetir isso em Crepúsculo e também tentar quebrar o tabu de que uma adaptação de um livro que está vendendo um monte não é boa. Até uma criança de seis anos sabe esses filmes são feitos para ganhar dinheiro – e eu não queria me envolver em algo assim. Pensei que Catherine [Hardwicke] e Kristen [Stewart] concordariam comigo. E elas têm reputações a zelar, muito mais do que eu. Então, tudo o que eu fiz foi me certificar que assim que as pessoas chegassem a Portland eu teria de saber tudo sobre tudo. Eu não falava outro assunto que não acrescentasse nada ao personagem no último mês e meio antes da filmagem. E isso empolgou as outras pessoas. Quando as pessoas lêem o livro, vêem que é algo fácil de ler e daí fica com aquela sensação de “lá vem outro filme feliz”. E eu segurando o livro e pensando “Não! Isso vai ganhar uns Oscars!’ [risos]

Isso tornou o fim das filmagens mais dolorido?

Na verdade, não. Foi mais difícil quandoas pessoas me pediam para fazê-lo mais leve. Ao mesmo tempo que penso que o meu jeito funcionaria e tudo o que estava diferente do livro, quando ele tem suas tiradas, ele é um cara confiante e que não liga para garotas. Se você está escrevendo sobre o cara perfeito, você não diria que ele é um esquisitão maníaco depressivo que quer se matar o tempo todo. Por isso passei um tempo brigando com os produtores. Catherine me trouxe uma cópia do livro e mostrou todas as partes em que ele sorria e eu tive de concordar.

Mas no próximo livro o seu personagem tenta mesmo se matar, né?

Eu sei! Eu ficava falando “Então esperem até a seqüência.” Stephenie Meyer escreveu – ou ao menos começou – Midnight Sun do ponto de vista do Edward.

Ela já te mostrou aguma coisa sbre o personagem?

Sim. Ela me deu quando já tínhamos filmado cerca de dois terços do total. Eu nem sabia que aquilo existia. Digo, eu já sabia do primeiro capítulo, que estava na Internet. Muito da angústia do personagem vem dali. Fala do pouco controle que ele tem. No livro, se vê isso quando ele diz “Eu sou um monstro e vou te matar” e ela responde “Eu não estou com medo”. Você meio que sabe o tempo todo que ele nunca vai fazer algo mau. Mas daí você lê o primeiro capítulo do Midnight Sun, e vê o quanto ele quer matá-la e como ele considera matar o colégio todo apenas para satisfazer esse seu desejo. Eu queria que esse elemento fosse bastante proeminente nele. Eu queria a Bella dizendo “Eu não estou com medo. Você não vai fazer nada comigo”, mas sem tanta certeza. Um diálogo desses acabaria ficando diferente. Algo como “Você não vai fazer nada comigo, vai?”. Eu queria algo nesse tom. Acho que deixa tudo mais sexy se houver uma chance real dele simplesmente pirar e acabar matando-a.

Você e Kristen têm uma boa química, mas há também um forte elo com a sua família no filme. Você pode falar um pouco sobre essas relações que se criaram dentro e fora das telas?

Era muito estranho. Eu realmente tinha algo com a Kristen. Digo, todas as cenas são bem intensas e quando você está trabalhando com uma pessoa por quase todo o tempo, especialmente interpretando um relacionamento, é como uma pequena bolha. Mas com a família, eles são pessoas muito divertidas e nós nos demos bem. Não era atuação. Só a parte do sotaque americano. Peter [Facinelli] é um dos caras mais divertidos que eu já conheci. Peter disse que você é péssimo no beisebol e que ele teve que te dar uma mãozona. Ele não pára de falar isso.

Ele deve estar entrando em todas as salas só pra falar isso, né?

Sim, eu sou péssimo em beisebol. Catherine queria muito que eu me parecesse com um jogador profissional de beisebol e eu não dava a mínima pra isso. Boa parte do período de ensaios em que poderíamos estar nos dedicando aos ensaios propriamente ditos, ela ficava falando “Não. Você tem que parecer um astro do beisebol.” Tinha até uma porra de um professor para me ensinar as posições certas e a Catherine ficava me testando “Deixe-me ver” e eu só respondia “Escuta, no dia eu vou fazer direitinho, ok? Eu consigo agachar, porra.” E daí, até o resto das filmagens, sempre que ela tinha uma questão importante sobre o personagem eu ficava na posição de receber a bola.

Qual você acha que é o segredo da química que você e Kristen desenvolveram e compartilham durante o filme?

Acho que foi fazer o oposto do que a história é. Desde os testes de elenco, quando interpretamos uma das cenas do meio do filme, nós tínhamos o meu personagem tentando intimidá-la e ela com aquele olhar que só tinha amor e adoração, toda maravilhada, como se um deus tivesse descido para encontrá-la. Mas eu achava, e o interpretei, como um deus com problemas, aos pés dessa garota mortal. Até mesmo a posição em que nos estamos no fim d filme, eu estou literalmente me ajoelhando para ela. Não me lembro o que acontece no filme,mas no teste foi assim. Ela tinha esse jeito maternal e ele procurando por um auxílio. Acho que funcionou. Ela é muito forte. Ela não faz o tipo donzela. É estranho, eles escolheram as pessoas erradas. Eu sou um desastre e ela é muito forte e deveria ser o contrário. Mas acho que deu certo.

Que papo é esse de você pedir a Kristen em casamento?

Eu não me lembro disso ter acontecido. A Kristen falou que eu eu pedi e eu não lembro. Acho que uma outra pessoa me mandou uma mensagem de texto no celular há umas semanas dizendo “Você ainda está disposto a se casar comigo?” Acho que era ontem que eu deveria ter me casado com alguém.

Ah, então é normal para você?

Acho que sim.

Você vai fazer Salvador Dali em Little Ashes. Como é interpretar esse pintor tão icônico?

Não tem nada de igual, mas ao mesmo tempo acho que Edward também é um personagem icônico. Mas eu fiz a mesma coisa, detrinchei tudo o que se sabe sobre ele. E tem ainda uma tonelada de coisas escritas sobre ele e por ele, daí você vai juntando as peças do seu jeito. Eu o interpreto em uma fase em que ele é bastante jovem, entre 18 e 26 anos, e a história é sobre sua assenção e queda a essa caricatura que todos conhecem. Ele foi uma criança cronicamente tímida no início, então não era bem interpretar o Dali como imaginamos, com exceção da parte final e mesmo nessa hora ainda não estou interpretando ele. É mais um dos seus humores, acho. Eu pesquisei muita, muita coisa porque todo mundo falava em espanhol no set então eu passava o dia lendo. Foi a primeira vez que eu realmente entrei no personagem, tentando imitar seus movimentos. Tinha uma foto dele apontando e eu ficava tentando descobrir o que é que ele estava apontando. Foram três dias só nisso. Nunca tinha feito isso antes. Fiquei imaginando como era que ele andava e coisas do tipo. No final, eu não tenho idéia como ficou. Alguém me disse outro dia ‘Eu nao sabia que era sobre Dali até o último dia, quando você estava com aquele bigode.’ E eu pensei ‘Oh, ótimo!’ Acho que é meio que uma homenagem a ele. Todo mundo acha que ele era um maluco. Na autobiografia que ele fez quando era mais jovem – ele escreveu três autobiografias que contradizem uma às outras – ele diz que sua mãe o chupou e outras coisas e em outra ele diz que sua mãe foi a melhor de todos os tempos e lhe deu a melhor infância possível. Há capítulos chamados “Verdade” e outros chamados “Mentiras” e neles muitos fatos que são difíceis saber se são verdadeirou ou não, o que é engraçado. Tem tanta coisa sobre ele. É impressionant como ele se criou e tanta gente só consegue ver a máscara. Ele queria iss, mas é engraçado quando você sabe quanto mais existia por trás desse palhaço bizarro que ele foi no fim da sua vida, que só ligava para dinheiro. Ele foi uma pessoa incrivelmente complexa. E não sou eu quem está dizendo isso.

E o que você vai fazer a seguir?

Estou fazendo uma pequena produção chamada Parts Per Billion, com o Dennis Hopper e Rosario Dawson em janeiro e espero que algo mais logo em seguida.

É estranho ver as matérias que fazem sobre o seu cabelo na Internet?

Eu estava em Nova York dando entrevista a um programa de rádio e as pessoas começaram a mandar mensagens para lá pedindo para que eu tirasse o chapéu. Quando alguém diz que algo virou sua marca pessoal, a melhor coisa que você tem a fazer é se livrar dela. Senão só piora.

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